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- Manutenção
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Rever tudo por calendário fixo é desperdício. Esperar pela avaria sai mais caro. A pergunta útil é que máquinas merecem que tratamento.
Há uma versão desta discussão que trata a manutenção preventiva como sempre certa e a correctiva como sempre uma falha de planeamento. Não é assim tão simples. Rever todas as máquinas no mesmo calendário fixo desperdiça peças e mão de obra em equipamento que estava a trabalhar perfeitamente. Esperar que tudo avarie sai muito mais caro, e normalmente no pior momento possível. A pergunta útil não é qual das abordagens é melhor, mas que máquinas merecem que tratamento.
Comece pelo que a avaria custa mesmo
Antes de decidir como manter uma máquina, apure o que acontece quando ela pára. Um transportador que trava a linha de produção inteira e uma bomba de reserva que trabalha em paralelo com outras duas não são o mesmo problema, mesmo que custem o mesmo a reparar. O primeiro justifica plano de manutenção programada, peças em stock e monitorização de estado. O segundo pode razoavelmente trabalhar até falhar.
Escrito assim parece óbvio, e é sistematicamente ignorado na prática, porque os planos de manutenção tendem a ser construídos à volta do que é fácil de agendar em vez do que é caro de perder.
De que é feito um plano preventivo a sério
Um plano preventivo que funciona assenta em horas de funcionamento e regime de serviço, não no calendário. Uma bomba que trabalha quatro horas por dia e outra que trabalha em contínuo não se desgastam ao mesmo ritmo, e revê-las às duas de seis em seis meses significa que uma está a ser revista a mais enquanto a outra já passou do prazo.
- Intervalos de revisão calculados a partir das horas de funcionamento, não do mês do calendário
- Pontos de inspecção definidos com antecedência, para técnicos diferentes verificarem as mesmas coisas
- Limites de desgaste escritos, para "ainda dá" ser uma medição e não uma opinião
- Peças de substituição identificadas antes de fazerem falta, com os prazos conhecidos
Onde a manutenção correctiva é a escolha certa
A manutenção correctiva é a resposta certa para equipamento barato de reparar, fácil de alcançar, e cuja avaria não pára mais nada. Equipamento redundante entra nesta categoria. Também entra tudo o que se aproxima do fim de vida útil, onde o plano sensato é levá-lo até ao fim e substituí-lo em vez de continuar a investir nele.
O erro não é escolher manutenção correctiva. O erro é escolhê-la por omissão, para tudo, e chamar estratégia ao resultado.
Um plano de manutenção que ninguém consegue executar numa semana de trabalho normal não é um plano. É uma lista de desejos que vai ser abandonada ao terceiro mês.
O meio-termo: manutenção condicionada
Entre as duas fica a manutenção condicionada: intervir quando uma medição diz que a máquina precisa, e não quando o calendário o manda. Leituras de vibração em equipamento rotativo, inspecção termográfica em ligações eléctricas, análise de óleo em redutores. Exige mais instrumentação e mais disciplina no registo das leituras, mas apanha as avarias que um calendário deixa passar e dispensa as intervenções que um calendário teria imposto.
Não serve para tudo. Instrumentar uma máquina que custa menos do que a instrumentação não é engenharia, é encenação. Mas para o equipamento crítico identificado no primeiro passo, é normalmente onde está o retorno.
Um ponto de partida prático
Se não tem plano nenhum, não tente construir o sistema completo de uma vez. Liste o equipamento cuja avaria pára a produção. Para cada um, escreva o que falha, como daria por isso antes de falhar, e quanto custa e demora a chegar a peça de substituição. Só essa lista diz-lhe mais sobre onde gastar o dinheiro da manutenção do que qualquer plano de revisões genérico.



