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Dimensionar a partir de uma área de cobertura ou de um orçamento dá investimento desperdiçado ou um sistema que fica aquém. Começa no perfil de consumo, sem atalhos.
A maior parte das instalações fotovoltaicas subdimensionadas não foi dimensionada de todo. Foi orçamentada a partir de uma área de cobertura, ou de um orçamento, ou do que o fornecedor tinha em stock. O resultado é previsível: ou capital gasto em produção que nunca é consumida, ou um sistema que cobre uma fracção da carga e desilude toda a gente que o aprovou.
Dimensionar como deve ser não é complicado, mas exige informação que dá trabalho a reunir.
O perfil de consumo, não o total mensal
Uma factura mensal de electricidade diz quanta energia foi consumida. Não diz quando. Numa instalação industrial essa distinção decide o projecto inteiro, porque a produção solar acompanha o sol e a sua carga acompanha o plano de produção. Duas fábricas com consumo mensal idêntico podem precisar de sistemas muito diferentes.
O que é preciso é a forma da carga ao longo do dia e da semana:
- Horas de funcionamento, incluindo se há turnos nocturnos ou ao fim-de-semana
- A carga de base que trabalha em contínuo independentemente da produção
- A ponta de consumo e a que horas ocorre
- Variação sazonal, se a operação tiver alguma
Onde há dados de contagem, isto é directo. Onde não há, pode reconstruir-se a partir das potências dos equipamentos e dos horários de funcionamento com precisão razoável — dá mais trabalho, mas é muito melhor do que adivinhar.
Fazer coincidir a produção com as horas em que consome
Um sistema dimensionado para cobrir o consumo total sem olhar aos horários vai produzir excedente ao meio-dia e nada de noite. Se esse excedente vale alguma coisa depende inteiramente do que se pode fazer com ele: injectar na rede, armazenar, ou deslocar carga para as horas de sol.
O armazenamento muda substancialmente as contas, e nem sempre no sentido que as pessoas esperam. As baterias são uma parcela importante do custo e têm vida útil medida em ciclos. Dimensionar armazenamento para aguentar uma noite inteira de carga, numa operação que só trabalha de dia, é um erro comum e caro.
A pergunta certa não é "quanto conseguimos produzir?" mas "quanto do que produzimos vamos mesmo consumir?"
O que o local impõe
A área disponível é a restrição dura, e raramente é a área de cobertura que alguém mediu num desenho. Sombreamento de estruturas vizinhas, orientação e inclinação da cobertura, capacidade estrutural para suportar a carga adicional, e acesso para limpeza e manutenção reduzem todos aquilo que é verdadeiramente aproveitável.
A instalação no solo elimina a questão estrutural mas introduz ocupação de terreno, segurança e distância de cablagem. Nenhuma das opções é universalmente melhor; é o local que decide.
Antes de produzir, veja o que desperdiça
É frequentemente mais barato reduzir o consumo do que produzir o equivalente. Fugas de ar comprimido, motores a trabalhar em vazio, bombas sobredimensionadas estranguladas na válvula, iluminação acesa em zonas desocupadas — não têm nada de vistoso e é normalmente onde estão os retornos rápidos.
Uma avaliação energética antes de um projecto de produção não é uma manobra dilatória. Muda a dimensão do sistema que tem de comprar, o que muda quanto custa o projecto.
O que uma proposta séria lhe deve dizer
Uma proposta que vale a pena aceitar indica o perfil de consumo assumido, a produção esperada ao longo do ano, que proporção da sua carga cobre, e o que não cobre. Se lhe der uma potência de pico e um preço sem nada disso, não foi dimensionada. Foi orçamentada.



